Hacker que pertencia à inteligência militar russa e fora expulso da Holanda, esteve no Brasil durante Olimpíada de 2016

O chefe da Inteligência Militar da Holanda, Onno Eichelsheim, a ministra da Defesa Ank Bijleveld e o embaixador britânico Peter Wilson mostram os agentes russos expulsos por tentar fazer um ciberataque em Haia Foto: BART MAAT / AFP

Um dos quatro russos acusados pela Holanda por uma tentativa de ciberataque contra a sede da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), na cidade de Haia, em abril passado, esteve na Olimpíada do Rio em 2016. Autoridades holandesas divulgaram uma foto de Yevgeny Serebriakov, identificado como especialista em tecnologia da informação e membro do departamento de inteligência militar russa (GRU), no mesmo dia em que relataram a frustrada invasão à rede de computadores do órgão que investiga o envenenamento com agente novichok do ex-agente duplo russo Sergei Skripal no Reino Unido em março deste ano.

Em entrevista coletiva, a ministra da Defesa da Holanda, Ank Bijleveld, afirmou que um laptop pertencente a um dos agentes fora usado no Brasil, na Suíça e na Malásia, sem dar mais detalhes. Procurado pelo GLOBO, o Ministério da Defesa holandês disse que não daria mais informações além do que já foi divulgado. Enquanto isso, os governos de Reino Unido e EUA acusam a GRU de ter realizado ciberataques à Agência Mundial Antidoping e outras organizações esportivas antidoping.

O grupo contava com dois especialistas em tecnologia da informação e dois agentes de apoio, afirmou o governo holandês.  Quando os quatro suspeitos foram detidos, tentavam hackear a rede de computadores da Opaq de dentro de um carro alugado estacionado na frente de um hotel próximo à sede da organização. Cada um levava US$ 20 mil. Ao serem flagrados, tentaram quebrar um dos celulares que portavam. Os russos foram identificados como Alexei Morenetz e Yevgeny Serebriakov, os experts em tecnologia da informação, e os agentes de apoio Oleg Sotnikov e Alexei Minin.

Sem que mais informações sobre os suspeitos tenham sido oficialmente divulgadas pela Holanda, há referências aos nomes Alexei Minin e Oleg Sotnikov como ex-membros do corpo diplomático russo em Portugal. Um documento do governo português menciona Minin como primeiro secretário da Chancelaria russa em Lisboa, enquanto diversas reportagens da mídia portuguesa de 2009 se referem a Sotnikov como vice-cônsul da Rússia em Portugal. Não fica claro, no entanto, se estas pessoas são as mesmas que as envolvidas no ciberataque fracassado em Haia.

Yevgeny Serebriakov durante as Olimpíadas no Rio ao lado de atleta russa desconhecida Foto: Divulgação

As autoridades holandesas disseram que eles são da unidade 26165 da GRU, também conhecida como APT 28. Cópias dos seus passaportes, imagens do carro alugado e fotos dos equipamentos usados pelos russos foram divulgados pela Holanda. O embaixador britânico na Holanda, Peter Wilson, afirmou que essa divisão da inteligência russa envia agentes “pelo mundo todo para conduzir ciber operações de proximidade”, como ataques a redes WiFi. Em relação à Malásia, o conteúdo encontrado pelos investigadores era relacionado com a investigação sobre o  voo MH17 da companhia Malaysia Airlines, derrubado por um míssil em 2014 no leste da Ucrânia, explicou Bijleveld.

No início deste ano, uma investigação internacional conduzida por investigadores holandeses concluiu que o míssil usado no ataque pertencia a uma brigada russa. Os homens foram filmados na sua chegada à Holanda em 10 de abril pelo aeroporto Schiphol, em Amsterdã, antes de serem presos em 13 de abril. Eles colocaram dispositivos para hackear a rede WiFi da Opaq e se infiltrar nos seus computadores no carro que alugaram logo após a sua chegada ao país. Segundo autoridades holandesas, a antena dos equipamentos foi escondida embaixo de um casaco que estava na prateleira traseira do veículo. Os aparelhos estavam funcionando quando agentes holandeses flagraram a operação.

Segundo Wilson, os hackers planejavam viajar também até o laboratório da Opaq em Spiez (perto de Berna, na Suíça) onde o agente nervoso novichok usado na tentativa de envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e de sua filha Yulia foi identificado. De acordo com o governo britânico, seu Centro Nacional de Cibersegurança (NCSC, na sigla em inglês) concluiu que várias pessoas conhecidas por ter realizado ciberataques no mundo todo nos últimos anos trabalham para o GRU.

Entre os ataques identificados pelo NCSC, está o realizado contra o Comitê Nacional do Partido Democrata americano, em 2016  — nos Estados  Unidos, agentes russos já foram formalmente acusados desse ataque. O governo britânico citou ainda ciberataques realizados contra a Agência Mundial Antidoping, e contra o sistema de transportes na Ucrânia. Nos Estados Unidos, sete agentes da inteligência russa foram formalmente acusados nesta quinta-feira de hackear computadores de organizações esportivas antidoping e instalações nucleares da empresa americana Westinghouse.

*Com informações da Agência de Notícias O Globo, via Agências de notícias Internacionais

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